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Do Sofá ao Ultra

Olá o meu nome é Hugo Sousa, e o meu objectivo é um dia fazer um Ultra Trail de 100km, aqui farei crónicas das provas em que participo, treinos e alimentação. Aqui podes acompanhar esta aventura.

Olá o meu nome é Hugo Sousa, e o meu objectivo é um dia fazer um Ultra Trail de 100km, aqui farei crónicas das provas em que participo, treinos e alimentação. Aqui podes acompanhar esta aventura.

10.Jun.18

HARD TRAIL MONTE DA PADELA BY COMPRESSPORT 2018

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Olá a todos, numa semana 2 post's? É verdade! Pois numa semana tive duas provas e aqui está mais uma crónica de uma prova que me surpreendeu bastante, o Hardtrail Monte da Padela by Compressport, a minha primeira prova de Sky running,  embora a curta distância deu-nos uma tareia incrível. A principal atração desta prova é a famosa subida da Lage Negra, embora esta prova é bem mais que essa subida acreditem! Aqui experimentei pela primeira vez as minhas novas sapatilhas as "La Sportiva Akyra,  adianto já que são qualquer coisa de incrível. (Querem review? deixem nos comentários!)

Sem mais demoras vamos ao que interessa, no passado domingo dia 3 de Junho Eu, o João, o Fábio, o Roni e a Márcia a única rapariga da equipa, deslocamo-nos a Barroselas numa viagem de aproximadamente 130KM que valeu bem a pena para participarmos num trail com uma organização incrível. Saí-mos as 7H de Vale de Cambra e chegámos a Barroselas por volta das 8H15, levantamos os dorsais (processo que não demorou 5 minutos) e fomo-nos equipar, eram 9H30 chegou a hora para o controlo 0 antes de entrarmos no autocarro que nos levaria a zona de partida, pois esta prova era em linha.

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 Na caixa de Partida (foto do fábio)

Chegou ás 10H e foi dada a partida, 100 metros em estrada,  o primeiro quilómetro e meio sempre a subir, primeiro em estradão e logo de seguida num single track junto a uma "mini-levada" como a Márcia a apelidou, aqui seguíamos ainda praticamente todos juntos, pois o pelotão não teve tempo de dispersar e causou congestionamento no single track, mal entramos em estradão, foi praticamente cada um por si, o João e o Fábio "as motas" da nossa equipa arrancaram a todo gás, eu o Roni e a Márcia seguímos sempre juntos até ao final da primeira descida, como é normal nas provas de sky running quando é para subir é para subir a sério, e quando é para descer, é igualmente inclinado ou até pior. No final da primeira descida meti o pé direito num buraco escondido no meio da vegetação e fiz um ligeiro entorse, logo atrás de mim a Márcia faz o mesmo, aqui marcava a separação do grupo, o Roni segue sempre e eu após verificar que estaria tudo bem sigo, a Márcia fica para trás sem que me aperceba, sigo mais uma centenas de metros e reparo que ela não segue atrás de mim, como estava com algumas dores no pé parei a espera dela, para ver como é que ela estaria, entretanto volto a vê-la e vejo que estava bem e sigo.

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Segunda subida do dia, mais uma vez uma parede incrível, acho que nesta prova na maioria das subidas, a cada passo que dava acho que ganhava mais altura do que comprimento, no final desta segunda subida começamos a descer novamente até a base de uma nova subida que seria mais curta mas novamente inclinada, que culminava numa descida para um estradão que nos faria subir novamente até um single track que acabava numa estrada romana muito degradada, mas nem isso me impediu de descer de forma rápida, pois a confiança nas sapatilhas cada vez aumentava mais, e aqui ultrapassei uma série de atletas até chegar ao primeiro abastecimento, apenas enchi os flasks e comi pouco, pois o abastecimento seguinte estava logo a 1,5KM aproximadamente.

Depois deste abastecimento segui em direção a uma das subidas rainhas da prova que culminava com a famosa subida da Lage Negra, seguimos num trilho junto ao rio e nos levou sempre por trilhos fantásticos e técnicos, até ao abastecimento seguinte, a chegada deu para ver pela primeira vez a famosa subida da lage negra, acreditem que nenhuma foto faz jus ao verdadeiro tamanho da Lage é um abuso! Dias antes tinha ficado a saber que este trail é famoso por neste abastecimento ter bolas de berlim, e lá estavam elas, comi e entretanto na hora em que estava para arrancar, chegou a Márcia, trocamos algumas impressões e segui para a famosa subida, utilizei a corda apenas nos primeiros metros, depois subi sempre sem corda, ao chegar ao final da lage a subida ainda não tinha terminado, segui sempre num trilho que nos levou a uma descida alucinante, aproveitei aqui para ganhar algum tempo que tinha perdido nas subida anteriores, os trilhos que nos levavam a base da última subida eram muito bonitos e alguns a exigir um bocadinho mais do nosso equilíbrio pois eram algo técnicos.

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 Lage Negra (foto da net)

A última súbida ali estava, o famoso UP HILL 930 metros com 203 D+ esta subida era tão agressiva que havia prémios para os mais rápidos a completar, a subida era feita em 3 partes, para quem não conhecia (eu) enganava-nos pois do início apenas conseguia ver o final da primeira parte, pareceu-me pouco e desconfiei, ao chegar ao final desta primeira parte já via pessoas completamente de rastos, e ainda faltava tanto! ataquei a segunda parte da subida e já quase no final atrás de mim a Márcia que já me tinha alcançado, fizemos a parte final do UP HILL juntos, até ao último abastecimento, enchi os flasks comi alguma coisa e arrancamos sem perder muito tempo.

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 No ínicio do UP HILL (créditos na Foto)

Fiz esta parte inicial da descida acompanhado pela Márcia até que ela volta a torcer o pé e diz-me para seguir, continuei a minha descida rápida, até ao ultima estrada que nos levaria até a meta, a apenas 1 KM da meta encontro novamente o Roni, que vinha completamente desgastado e com cãimbras, segui-mos juntos até a meta, onde esperamos pela márcia que entretanto nos alcançou e Atravessamos a meta todos seguidos.

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 Chegada a meta (foto do fábio)

Obrigado a associação Padela Natural pelo convite e os meus parabéns pela fantástica prova que organizaram, abastecimentos com tudo e mais alguma coisa, era tanto que nem sabia bem o que comer, durante o percurso vi dezenas e dezenas de voluntários, de todas as idades, que garantiam que nenhum atleta se perdia do percurso e acima de tudo a sua segurança, a medalha de finisher é muito bonita e por fim a fantástica t-shirt da compressport que além de bonita é muito confortável! Para o ano quem sabe se não voltarei!

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 Finishers (foto do fábio)

 

Agora vemo-nos no dia 30 na FREITA!

 

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 Percurso

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 Altimetria

 

06.Jun.18

NAC TRAIL 2018

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 Olá malta, desta vez a crónica demorou mais um pouco a chegar, mas como o prometido é devido, desta vez estou aqui para vos falar da minha participação nos 24 KM do NAC TRAIL que foi a minha estreia nos trails longos.

Posso vos adiantar que raramente voltarei a participar em trails curtos no futuro.💪

Depois do runcambra, voltei a focar-me a 100% no Trail, continuei no ginásio a fazer reforços musculares e em dieta para perder peso com vista a melhorar o meu rendimento, fui fazendo alguns treinos HIIT durante a semana, e ao fim-de-semana fazia sempre treinos de trail mais longos, mas nunca passando dos 15Km por treino. As sensações nos treinos foram sempre boas, o ganho de força muscular aliada a perda de peso refletiu-se no meu rendimento. 

A minha participação neste trail deve-se sobretudo a sua proximidade geográfica de Vale de Cambra e sobretudo a distância apresentada e a data, embora nenhum trail seja igual a outro quis experimentar a distância de 24 KM para perceber como estaria a correr a minha preparação pois ainda estavamos a 1 mês do UTSF e dava tempo para alterar o treino. 

Chegou-se a dia 27 de Maio e mais uma vez encontrei-me com o Paulo para ir-mos até Cucujães em Oliveira de Azeméis, para participar-mos no NAC TRAIL, ambos nos 24KM. Os dorsais já tinham sido levantados no dia anterior, por isso foi só chegar equipar e as 8H30 estar a fazer o controlo 0 para entrar na caixa de partida, as 9H00 contagem decrescente e siga para os 24KM, que passavam por várias freguesias do Concelho de Oliveira de Azeméis. O primeiro km todo em estrada deu para começar a dispersar o pelotão inicial, pois logo de seguida entramos num carrossel de single track's que aos poucos e poucos me desgastavam as pernas, pois tamanho era o sobe e desce. 

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 Arranque da Prova

Depois dos primeiros 3 KM chegamos a Bustelo, onde descemos um single track com uma inclinação incrível, seguímos em direção á freguesia de Pindelo, onde pelo caminho apanhei uma subida longa e com alguma inclinação.

 

Chegados a Pindelo estaria uma das jóias da coroa da prova, um trilho junto ao rio antuã, em que a subida e a descida eram constantes, este trilho tinha tanto de bonito como de técnico, neste troço faríamos a primeira travessia de muitas travessias de levadas e rios.

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 O primeiro contacto com o rio

 

N final deste fantástico trilho já teríamos cerca de 10 KM feitos, onde foi tempo para o primeiro abastecimento, com muita variedade, daí parti novamente com o Paulo e com mais 2 conterrâneos meus do Ginásio Fit 4 Fun, juntos enfrentamos a travessia do rio e  uma das subidas mais mediáticas do Trail, a Rolling Stones, que era isso mesmo pedra solta que rolava de baixo dos nossos pés a cada passo que dávamos. Esta subida levava-nos pela primeira vez perto do Alto da Senhora da Graça.

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Rolling Stones (Créditos Tó-zé Pinheiro)

 Chegados ao final da subida, encontramos um rapaz da organização que fazia o controlo da passagem dos atletas, e nos mandava descer a "Descida da Graça", que desci e desci e voltei a descer e ela nunca mais acabava, muito técnica e com uma inclinação brutal, chegado ao fundo dessa descida, percorri um estradão até chegar ao último ataque ( e que ataque) ao Alto da Senhora da Graça, a "Rampa da Graça" que sova que levei rampa a cima, tanto fisíca como mental, deu cabo de mim, quando pensei que estva no final da subida eis que aparece outra quase igual, mas com todo o meu esforço e apoio do Paulo lá cheguei ao final, só nos faltava mais uns 200 metros até as antenas, e lá seguímos, eis que por surpresa apareceu-me o meu grande amigo e companheiro de treinos Fábio que me tirou algumas fotos na passagem pelas antenas. 

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 Chegada as Antenas (Foto do Fábio)

Depois das antenas, desci por um single track rápido e técnico que nos levou para o meio de uma aldeia, onde os habitantes tinham música a tocar para animar a nossa passagem, a partir daqui seguimos por estrada cerca de 1,5 KM até a entrada do novo trilho que implicaria atravessar novamente o rio várias vezes, até ao "trilho da floresta negra", mas não sem antes passar pela ponte romana. Este trilho, era feito maioritariamente a subir (e de que maneira) numa zona de floresta serrada, um trilho fantástico e lindíssimo, que nos levaria ao último abastecimento.

Foi no arranque deste abastecimento que começaram a surgir os problemas, já seguíamos com 18KM, as sapatilhas começaram a deixar de fazer o seu trabalho e as pernas começavam a doer e a dar sinais de desgaste sério. O cansaço era muito e comecei a caminhar mas do que devia, fui obrigado a parar pois as sapatilhas cada vez me incomodavam mais. O pensamento de desistir começou a passar pela cabeça, se não tivesse o Paulo a acompanhar-me acho que a minha prova tinha ficado por ali. 

Tomei um gel e arranquei novamente, as dores nas pernas iam passando, mas o incómodo nos pés era enorme a partir daqui só a força mental contava, a subida estaria praticamente toda feita, pouco faltava para o D+ anunciado, fomos sempre a um ritmo mais baixo até a passagem de uma nova linha de água, dentro de um túnel que nos levava ao trilho de ligação ao parque onde tinha sido o arranque da prova, dentro do túnel a água chegava a cinta, soube mesmo bem para refrescar as minha pernas.

Ao entrar no parque, que sensação maravilhosa, já se ouvia o speaker chegamos ao final 3H56 minutos depois de arrancar, o objetivo de chegar ao fim estava cumprido e o de acabar em menos de 4H também.

Agora chegou o tempo para agradecer ao Paulo por me ter acompanhado durante todo o percurso, sem ele, muito provavelmente teria desistido a 5KM do fim e ao Fábio pela presença na Sra. da Graça e pelas fotos e ao fotógrafos, que tiraram fotos durante a prova, e a quem dou os créditos das fotos que tenho aqui.

Por fim parabéns a organização, pelo esforço que tiveram a abrir os trilhos, pela quantidade de pessoas que tinham a trabalhar convosco, a segurança do atleta sempre em primeiro lugar, pois tinham bombeiros nas partes mais perigosas.

Se o grau de dureza da prova se mantiver, para o ano podem contar novamente comigo!

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 Percurso

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 Altimetria