Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Do Sofá ao Ultra

Olá o meu nome é Hugo Sousa, e o meu objectivo é um dia fazer um Ultra Trail de 100km, aqui farei crónicas das provas em que participo, treinos e alimentação. Aqui podes acompanhar esta aventura.

Olá o meu nome é Hugo Sousa, e o meu objectivo é um dia fazer um Ultra Trail de 100km, aqui farei crónicas das provas em que participo, treinos e alimentação. Aqui podes acompanhar esta aventura.

28.Fev.18

Trail de Conímbriga Terras de Sicó! Uma surpresa agridoce.

180225-63488.jpg

Olá a todos,

Cá estou eu para vos trazer mais uma crónica de como foi a minha prova para a qual já estava inscrito desde a semana seguinte ao Ultra Trail Medieval.

Terá sido uma boa escolha? Como é que me portei?  Quando chegar ao fim da crónica estas perguntas ficarão respondidas.

A preparação pra esta prova começou logo no final do Ultra Trail Medieval, pois no final da prova fiquei com aquela vontade enorme de me inscrever logo noutra prova.

Como poderam acompanhar desde essa altura fiz vários treinos tanto em PR's com muita distância, como PR's mais curtos mas com D+ abusadíssimos, como o caso do PR3VLC. Fui Também complementando com treinos de ginásio, onde fiz aulas de cycling duas vezes por semana e de vez enquando umas corridas em estrada para recuperar de treinos mais puxados ao fim-de-semana, as sensações íam melhorando cada vez mais, mais resistência e mais força o que me dava a sensação de que iria fazer uma grande prova no dia 25 de Fevereiro. Mas eis que..... o último treino de trail foi num PR que já era meu conhecido, pois fui á inauguração do mesmo o PR1VLC - Varandas da Felgueira, quem leu na minha página viu que sofri pela primeira vez com o excesso de treino, os primeiros KM a descer até corri e a coisa até ia a contento, o problema foi quando começou a subir e aí comecei a dizer mal da minha vida pois levei uma marretada valente e percebi que secalhar a prova no dia 25 não ia ser assim tão fácil como previa.

Seguiu-se uma semana de preparação mais calma, quase de recuperação deste erro de principiante para que a máquina estivesse operacional para Domingo. Passei a semana toda ansioso para que chega-se a Domingo! Estudei o percurso e a altimetria para delínear a forma como iria atacar o Sicó!

Chegou o dia eram 6H da manhã quando acordei, pois tinha combinado com o João as 6H30 no parque da cidade para arrancar, o João como faz parte do Centro de Marcha e Corrida de Vale de Cambra tratou de combinar com a malta para eu ir com eles para a prova, tudo pessoas simpáticas e fantásticas.

FB_IMG_1519636281054.jpg

 

Arrancamos de Vale de Cambra eram 6H45 e chegamos a Condeixa-a-nova por volta das 8H, (a organização começou logo bem pois tinhamos um parque de estacionamento gratuito mesmo por baixo do pórtico de partida!) logo de seguida foi uma correria pois parte do nosso grupo iria participar nos 25KM e ainda tinham de ir levantar os dorsais, depois da devida preparação lá arrancaram ás 9H em ponto.

Logo a seguir a partida de todos os atletas dos 25KM eu e o resto da malta que iam aos 15KM fomo-nos preparar, eu demorei mais que uma mulher pra sair de casa ao sábado á noite! entretanto com tudo pronto estava a escassos 20 minutos do arranque,fiz um pequeno aquecimento e segui para de baixo do pórtico, pus-me a olhar para o gráfico de altimetria e a relembrar toda a estratégia que tinha delíneado. Estava quase!

Deu-se o arranque da prova o culminar de quase 2 meses de preparação tinha chegado, arranquei junto com a Ana, com a qual andei até praticamente chegar a subida mais dura da prova, estes primeiros 4 KM muito rolantes praticamente todos em estrada, que nos levaram as ruínas de conímbriga, um sitío que nunca tinha visitado (vou ter de lá voltar, pois não deu para ver grande coisa para ser sincero 😂 ), dali seguímos por um pequeno estradão que para minha supresa nos levava ao primeiro abastecimento, a organização não tinha informado a quantidade nem a localização de nenhum abastecimento. Parei, bebi apenas uma água e tentei comer mas não conseguia, nada me passava, mas não me preocupei pois de certeza absoluta que iria haver pelo menos mais um abastecimento a frente e naquele momento não tinha fome.

Aqui foi quando perdi o contacto com a Ana, segui para o Golias da Prova, 2KM a subir em que ganhava-mos cerca de 200 D+, se da primeira vez que vi o gráfico me preocupei com esta subida quando lá cheguei ia com a sensação que seria tranquilo pois já tinha subido bem pior a treinar, esta seria a subida mais longa de todo o percurso, fiz a subida sempre a gerir pois iria apanhar mais algumas subidas a frente e era importante manter-me fresco, quando via que podia correr corria, quando via que não podia correr caminhava, mas quando caminhava colava-me atrás de alguém com o passo acelerado, "ia na roda" como se diz na gíria do ciclismo. cheguei ao fim da primeira subida e lá está mais uma vez estava á minha frente a razão por eu praticar Trail, QUE P**** DE VISTA! disse eu alto, estava um senhor a minha beira que se riu perante a minha surpresa. Logo de seguida segui monte abaixo por uma descida fantástica, muita pedra solta e pó q.b. percorremos mais 1KM e estava a última subida até ao ponto mais alto da prova, por um single track que serpenteava na encosta da montanha com uma inclinação considerável mas corrível, fui mais uma vez sempre colado a um atleta que levava um bom ritmo, cheguei ao ponto mais alto da prova com 1H, para mim agora seria mais fácil chegar a meta com um tempo muito bom, pois a maior dificuldade da prova estava virado.

FB_IMG_1519638105502.jpg

 

Iniciei a descida com um ritmo muito acelerado, com paces a rondar os 4':50'', queria recuperar o tempo perdido nas duas primeiras subidas! Fartei-me de ultrapassar gente por aquele estradão cheio de pedra solta e pó, a temperatura estava a aumentar consideravelmente, mas ignorei sempre com o objectivo de terminar a prova rápido. A descida acabava na aldeia do Poço mesmo no fundo do vale, onde estava o segundo abastecimento, entrei e para minha supresa havia cerveja preta 😍(primeira má decisão da prova, agora olho para trás e admiro-me como foi só aos 10KM), comi uma fatia de laranja e bebi meio fino de preta e arranquei (2º erro do dia, tanto tempo sem fazer asneiras e no espaço de 2 minutos cometo 2 erros estúpidos pois não me apercebi que apenas me sobrava meio frasco de água) comecei a correr subi a estrada estreita que nos levava de novo ao estradão e parecia que levava uma pedra no estômago mas ao mesmo tempo tinha uma enorme sensação de ardor (foi aqui que aprendi que não devo beber cerveja no meio da prova), aos poucos o mau-estar foi passando e ao fundo do estradão começo a ver a t-shirt do CMCVC, era a Elsa com a qual tinha perdido o contacto logo a seguir a partida, seguimos juntos para a última subida longa da prova, nesse momento comecei a sofrer com o calor e terei o buff e os manguitos, ufa estava mais fresquinho, comecei a aumentar o ritmo e deixei a Elsa para trás no cimo da subida, aqui entraríamos num single track que seria onde nos encontraríamos com a malta dos 25KM, um single muito bonito e técnico que nos iría levar de volta as ruínas de conímbriga, aqui é que foram elas, depois das maiores subidas feitas, acelerar o ritmo nas descidas não esperava que fosse uma subida com 100 metros de comprimento a 1,5KM do fim que me fosse dar uma marretada (Como diz o Filipe do quarenta e dois), a subida era bastante inclinada o calor e a falta de água e sais, matou-me cheguei ao fim da subida completamente rebentado, atravessei conímbriga sem me aperceber bem daquilo que me rodeava, entrei na estrada ora caminhava ora corria, já não dava mais, psicológicamente estava de rastos, até que sou alcançado pela Elsa novamente e ela me vem a dar força para os metros finais, eis que vejo os pórticos da meta apodera-se de mim uma força que não sei explicar, só sei que comecei a correr como um desalmado, aqueles últimos 300 metros e já está 1H50 depois de ter saído daquele local estava de volta e com um record pessoal da distância batido com estrondo 32 minutos de diferença para o primeiro que tinha feito!

180225-63490.jpg

 

 

Agora respondendo as perguntas que fiz em cima:

Foi uma boa escolha? Sim, sem dúvida alguma uma organização irrepreensível, abastecimentos pareciam banquetes, a seleção dos trilhos muito boa.

Como me portei? Tal como podem ver no título foi uma sensação agridoce, pois as melhorias desde 7 de Janeiro até este dia estavam mais que vistas, mas fiquei com a sensação que se tivesse gerido melhor os últimos 5KM tinha feito um tempo ainda melhor!

 

Quero dar os parabéns a Mena pelo primeiro lugar no escalão dela!

E quero agradecer ao João, José Roque, Marcos, Márcia, João Paulo, Joaquim Couto, Joaquim Oliveira, Ana, Elsa e a Mena, por me terem aturado no domingo!

Resumo

Tempo : 1:50:07

Dorsal: 4470

Mapa.png

Altimetria.png

 

 

 

 

 

08.Fev.18

PR3 - Na Vereda do Pastor - Que empeno!

27368305_939671472876532_2663941190684833300_o.jpg

 

Olá a todos,

Mais uma vez trago uma crónica de um treino. Inicialmente pensei em não o fazer, mas depois do treino senti que devia partilhar este empeno com todos vós.
Como viram no Facebook (quem acompanha a página, quem não o faz pode fazer aqui) sabem que voltei a freita, mas desta vez na parte que pertence a Vale de Cambra e novamente com o João e também com um estreante no trail o Fábio que foi o fotógrafo oficial do treino 😁.
Depois de uma conversa com o João durante a semana decidimos que iríamos fazer o "PR3VLC - Na Vereda do Pastor", são apenas 10,8KM se decidirmos fazer o PR3 e 3.1 em conjunto com 840 D+ pouco não é? 😈
Publiquei na página do Facebook que iria fazer este percurso, e logo de seguida começaram a chegar recomendações, o Joel do Vale dos Duros (Pra malta do BTT eles estão a organizar no próximo dia 17 de Março O Vale dos Duros GPS 2018​ e já abriram as inscrições), que foi o responsável pela marcação dos PR's de Vale de Cambra, que me aconselhou a levar comer e agasalho pois o percurso ia ser bastante demorado.
Depois de ter em conta todas as recomendações no sábado de manhã encontramo-nos no Arcádia para um cafézinho antes de arrancar, e lá seguimos em direção a aldeia da Lomba demoramos 30 minutos a chegar.

20180203_095258.jpg

 Antes de arrancarmos (mal sabiamos o que nos esperava)

Quando chegamos preparamos as coisas e arrancamos para fazer o 3.1, descemos pelas ruas apertadas da aldeia da lomba que nos levou até ao primeiro trilho em direção a aldeia abandonada das berlengas, bem no fundo do vale, pelo caminho temos um desvio de ida e volta que nos leva a aldeia das porqueiras e a sua fantástica cascata.

20180203_100743.jpg

 Cascata das Porqueiras

Quem participou no UTSF de 65K e 100K, passou neste trilho, que por sinal é fantástico e muito técnico e que nós percorremos até a Aldeia do Côvo a quase 1000m de altitude (neste momentos estávamos a 200m iríamos ganhar praticamente todo o D+ em pouco menos de 3KM). Fizemos o trilho das berlengas até a aldeia da Lomba (começou o nosso inferno) escadas atrás de escadas zonas que nem a correr nem a caminhar só a escalar.

received_1784477004960695.jpeg

 Quando disse que era a escalar não estava a exagerar! Aqui já diziamos mal da nossa vida e íamos com pouco mais de 2KM

Lá chegamos ao final do 3.1, e aí continuava ascensão a aldeia do Côvo. Entramos num estradão que mais a frente nos iria levar a um trilho cada vez mais apertado e a cima do primeiro pico, onde paramos para comer o nosso "reforço".

received_1784475828294146.jpeg

Meus ricos cubos de marmelada caseira!

Logo de seguida fomos a serpentear na "crista" daquele monte em que as paisagens eram de cortar a respiração, assim como o trilho que nos esperava mais a frente, que nao devia de ter mais que 50cm de largura e ao nosso lado direito tinhamos uma encosta tão íngreme que mais parecia uma parede com 300 metros de altura!

received_1784475511627511.jpeg

Não há imagem que faça jus aquilo que descrevi! Só Visto!

Pra quem tiver vertigens não é muito aconselhado, lá seguimos e finalmente chegamos ao fim da subida pela estrada, tinhamos chegado 1H10 minutos depois da saída das berlengas imaginem!
Passamos pelo centro da aldeia do Côvo, que víamos desde praticamente o início da subida!

received_1784474994960896.jpeg

 Á saída do Côvo em direção a Agualva


Aí começou a descida mais técnica que fiz até hoje (parecia que estava numa máquina de lavar, com a centrifugação ao máximo) até a aldeia da Agualva, sempre por single track's muito técnicos, até a aldeia. Chegamos a aldeia da Agualva só faltava a derradeira descida até a Lomba novamente, feita praticamente toda num single track encosta a baixo, quase sempre em corrida pois havia muita pedra solta, lá descemos até que avistamos a aldeia da Lomba novamente! Que sensação tão boa... tinha acabado o parte pernas agora era só 200 metros em estrada até ao carro!

received_1784474581627604.jpeg

 Foto tirada momentos antes do ínicio da descida final

Este PR é sem dúvida o mais difícil e mais técnico que alguma vez fiz, não é atoa que ele pertence ao UTFS, ainda hoje admiro o pessoal que o consegue fazer depois de trazer tantos KM nas pernas e com a subida a "besta" já alguns KM antes. Uma coisa é certa a vista compensa todo o esforço que fazemos para lá chegar!
Aconselho vivamente a todos vós uma visita a este PR, além de ficarem a conhecer as 3 aldeias mais remotas de Vale de Cambra, ficam a conhecer a parte mais bonita da Serra da Freita!

Como nós somos uns privilegiados! Isto é mesmo "O Vale Mágico"

received_1784476068294122.jpeg

 Vou deixar isto aqui para tirarem as vossas conclusões

Altimetria.png

 Altimetria

Mapa.png

Mapa do Percurso

PS: Este sábado vou voltar a fazer o PR15 como preparação para o Sicó, vamos ver como corre!

PS 2 : Em breve vai haver novidades acerca do desafio de 2018! Fiquem atentos!

Um abraço